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25/02/2008
Câmara abre negociações dos terrenos para a pista de remo
Começaram as negociações entre a Câmara de Aveiro e os proprietários dos terrenos para o alargar do rio, onde se pretende implantar o projecto da pista de remo, em Cacia. A Câmara oferece 30 cêntimos por metro quadrado e os contactos, para já, são pacíficos

A Câmara de Aveiro está a contactar os proprietários de terrenos abrangidos pela zona de alargamento do Rio Novo do Príncipe, na margem esquerda, necessários para o plano de construção da pista de remo que a autarquia pretende levar a cabo em Cacia.
Nos encontros entre o negociador, funcionário da Câmara, e os proprietários a autarquia está a oferecer 30 cêntimos por cada metro quadrado.
Para já, em termos gerais, a questão não está a levantar problemas nas abordagens já feitas, não sendo de excluir, contudo, a possibilidade de haver conflitos. O contacto tem sido pessoal, junto dos proprietários, mas a lei dá o direito à autarquia de avançar para a expropriação, se for caso disso. Será necessário negociar com cerca de 300 proprietários, nem todos identificados, donos de cerca de 400 parcelas, um trabalho que se iniciou há um mês se desenvolverá ao longo dos próximos dois meses.
As propriedades são variadas, entre casos com centenas e milhares de metros quadrados. Em alguns destes casos, a Câmara poderá vir a pagar apenas 100 euros por uma parcela.
Este é um período de contacto e a margem de negociação é praticamente nula. Depois de conseguido o compromisso, os contratos de promessa de compra e venda terão de ser submetidos à votação do executivo camarário.
A primeira obra a começar diz respeito à construção de uma barragem no fim do rio, sendo para isso necessário desviar o rio para colocar o leito normal em sequeiro. Outra fase da obra será o alargamento do rio, para o qual são necessários os terrenos em negociação, uma obra a realizar entre Maio e Novembro, o período de tempo possível dada a imposição ambiental determinada para permitir a subida de espécies como o sável e da lampreia. Será em Maio, mas não deste ano, ao contrário da construção da barragem.

11 milhões de euros

A zona de terrenos que a Câmara quer comprar situa-se a partir do pavilhão da colectividade Popular de Cacia para jusante, uma área com cerca de 72 hectares, localizados ao longo de uma extensão de 2.200 metros e numa largura com cerca de 70 metros, medidos a partir da margem.
A empreitada desenvolver-se-á ao longo da margem esquerda, nos lugares de Sarrazola e, principalmente, Vilarinho, cuja largura do rio aumentará para o dobro, atingindo os 140 metros. A pista necessita desta largura para as oito pistas, mais duas de retorno e mais cinco metros de segurança. Serão ainda necessários terrenos para a zona de equipamentos, entre hangares e bancadas, mas este será um processo de aquisição posterior.
Quanto ao financiamento da pista, que atinge os 11 milhões de euros, a Câmara conheceu recentemente uma pedra na engrenagem do projecto, colocada pelo presidente da Federação Portuguesa de Remo, que desvalorizou o interesse naquela pista.
Mas Élio Maia tem insistido na construção, e colocou a obra à frente das prioridades dos investimentos municipais mesmo depois do actual Governo desvalorizar o protocolo celebrado com o Governo do partido agora na oposição.
Os argumentos para cativar o financiamento para o projecto não se resumem ao interesse desportivo mas também ao ambiental e agrícola. Teve uma alavanca importante através da entrada da Portucel no projecto, uma parte interessada devido à necessidade da ter uma reserva de água doce para a laboração e evitar a entrada de água salgada.

Élio Maia sucederá a D. João VI

Se conseguir construir a pista, o actual presidente da Câmara de Aveiro, Élio Maia, sucederá a D. João VI, rei que, em 1815, mandou construir o Rio Novo do Príncipe. Para além de outros objectivos, ajudou a incrementar a modalidade, que começou como uma prática ligada ao turismo e ao lazer. A competição, porém, começou a ser uma faceta cada vez mais expressiva.
O Clube dos Galitos já tem a prática do remo desde 1926 e a Colectividade Popular de Cacia desde 1976. No palmarés de vitórias, Aveiro já atingiu a proeza de colocar o remo na disputa dos Jogos Olímpicos.
Quanto aos terrenos agora com novo interesse, o tempo passou e perderam valor. O junco serve apenas para cobrir o alcatrão quando passa a procissão, como dizem alguns, para mostrar a desvalorização daquele recurso. As marinhas de arroz também deixaram de ser um investimento a ter em conta, assim como a exploração de salgueiros, árvores que dão ramos para as vinhas, lenha e cuja casca servia para produzir tintas. Ainda se usam os terrenos para pastagem mas com uma expressão reduzida. Com o desuso destes recursos, os terrenos das margens da pista têm hoje um valor muito diferente do passado. Trinta cêntimos o metro quadrado, segundo a Câmara de Aveiro.
in DIARIO DE AVEIRO
   

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